Participei da primeira edição do LIVRE fazendo o editorial, que trago para os leitores do Cafelittera logo abaixo:
“Antes mesmo de imaginar que um dia gastaria tanto tempo diante do computador perguntando coisas ao oráculo Google, estava viciado num tal de fanzine. Lá se vão onze anos desde que ouvi pela primeira vez esta palavra. Lembro-me que soou muito estranha. Para completar não era simplesmente um fanzine, era um telefanzine! O projeto era, entre outras coisas, uma agenda cultural alternativa do que rolava em Salvador, divulgada por telefone. Ligava de casa, do telefone do vizinho e até mesmo do orelhão, com tamanha freqüência que até hoje tenho o numero decorado. Todos os dias eu escutava informações sobre shows de bandas que nunca ouvira falar, nos lugares mais distantes, que mais tarde viria freqüentar. Havia também classificados, vendas de instrumentos, músicos procurando bandas, bandas divulgando seus trabalhos, crônicas, poesias, tudo por telefone!
Uma expressão estrangeira, que é interessante para o esclarecimento desta idéia é underground. Atmosfera destoante das estruturas comerciais de produção cultural, um movimento underground é “subterrâneo”, é o outro lado, o que escapa à moda oficial, pode ser o que chamamos alternativo.
Assim um fanzine me parece uma alternativa genuína ao nosso tédio diante de uma banca de revistas repletas de capas similares, das mesmas matérias jornalísticas interpretadas por atores diferentes, das novidades reeditadas. Longe do mainstream, do foco comercial o fanzine é outra versão, com espaço para singularidade e criatividade, num contraponto a realidade apresentada como um disco que toca a mesma melodia com letras diferentes. O fanzine é muito mais flexível – como um “contra o método” editorial, em outras palavras, diria que um zine é muito mais jazzístico. O tema é LIVRE, e o improviso traz o ar da novidade.”
Sidarta Rodrigues





Um bom amante de café sabe que o prazer da bebida se esconde nos detalhes. De um ponto de vista objetivo, as complexidades que cercam a produção da bebida, os cuidados e procedimentos quase rituais inscritos na trajetória do grão de café ate nossa boca enriquecem o hábito de tomar o “vinho da Arábia”. E assim o conhecimento transforma nossa percepção do que antes era apenas algo trivial, como continua a ser para outras pessoas. De outro lado, se há enólogos, historiadores do vinho, há também baristas, cafeólogos, que nos informam sobre a sofisticação do café, suas curiosidades e sagas. Mas tudo isto é um elogio técnico apenas. É muito provável que o significado pelo gosto do café não venha daí.


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