21
Nov
08

Sobre o futurismo

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Estava no trajeto costumaz entre trabalho e a minha residência, quando, ao passar por uma conhecida via rodoviária da cidade de Salvador, observei as obras do metrô, e tal imagem me fez refletir sobre o avanço das tecnologias, fazendo-me lembrar o futurismo que tanto enfatizou isso no início do século XX.

O futurismo foi um movimento artístico e literário, que surgiu oficialmente em 20 de fevereiro de 1909 com a publicação do Manifesto Futurista, pelo poeta italiano Filippo Marinetti, no jornal francês Le Figaro. o moviemento preconizava os ideiais tecnológicos e a velocidade, rejeitava o moralismo e o passado. Aqui no Brasil, influenciou o movimento modernista.

O movimento futurista, em uma tentativa até certo ponto audaciosa, buscou ir além do seu tempo nos diversos campos artísticos. Todavia esse movimento futurista deveria ter o nome de movimento utopista, pois nenhum movimento deve preconizar algo que sua tecnologia não consiga acompanhar.

Movimento que tinha o ideal de velocidade, versatilidade, movimento com discurso arrogante, megalomaníaco, que pregava a destruição do passado, e qualquer movimento artístico que renegue seus antecessores não é digno de crédito, e deve ser olhado com certa desconfiança. Destruir o passado é renegar nossas origens, o movimento deveria pregar não a destruição do passado, deveria era pregar uma arte em que se une o belo, ordeiro e complementar das criações já existentes, renegar a Filosofia Greco-Romana, os templos, o renascimento enfim, Tomasso Marinetti, tinha sérios problemas em olhar de frente o seu tempo, uma grande intervenção: seria Marinetti um frustrado artisticamente, moralmente, psicologicamente? Pelo menos o seu discurso apocalíptico denuncia grande desequilíbrio, porem a arte foi feita por homens revolucionários.

O movimento futurista pensou construir grandes edifícios e movimentos, todavia esses edifícios pouco passaram de dinamismo. A pintura tentou inovar sendo pouco feliz. Movimento futurista ou movimento utopista, não importa, a possibilidade de sucesso era restrita.

Artistas morreram na I Grande Guerra. E o movimento perdeu todo o crédito ao pregar a violência.

Independente de George Lucas, Spielberg, dentre outros, terem retratado o futuro com certo brilhantismo, não acredito que eles beberam todo o cálice da loucura futurista de Marinetti.

Roberto Silva


4 Responses to “Sobre o futurismo”


  1. 1 Leandra Silva
    Novembro 23, 2008 às 4:10 am

    Aos idealizadores deste sítio,

    Li o texto produzido por Roberto Silva. Interessante.

    Talvez os artistas futuristas nada mais queriam que expressar representações totalmente desnaturalizadas do espaço bidimensional.

    Aguardo novos textos.

  2. Novembro 24, 2008 às 1:25 pm

    Caro Roberto Silva,

    Li seu texto. Interessante.

    Talvez os futuristas nada mais queriam que simplesmente fazer uma reflexão sobre o espaço bidimensional e denunciar algumas práticas políticas. Nisso podemos citar Marinetti “…queremos libertar esse país (a Itália) de sua fétida gangrena de professores, arqueólogos, cicerones e antiquários”. Assim, eles defendiam a experimentação técnica e estilística nas artes em geral, sem deixar de lado a intervenção e o debate político-ideológico.

    Aguardo novos textos.

    Leandra Silva
    Pedagoga

  3. Novembro 26, 2008 às 11:50 am

    Gostei do texto! Bastante interessante.

    Apesar de não ser um texto pertinente a minha área de atuação (Engenharia), achei muito interessante.

    Passarei aqui mais vezes para ver novos textos.

  4. Dezembro 2, 2008 às 2:08 pm

    Enxergo no movimento futurista mais uma contestação da realidade da época do que uma proposta para uma estética nova. Negação dos cânones clássicos e das regras estabelecidas não era exatamente o que se possa chamar de novidade em literatura, tão pouco propostas pessimistas e auto-destrutivas.

    Porém, há de se refletir sobre o culto ao Progresso e à Tecnologia no século XX, tendo em vista que a maior parte dos artistas posicionou-se mais críticamente e com maiores ressalvas. Uma proposta válida, pois traduziu um sentimento do momento: as máquinas, a força de criação, o poder de destruição nos estão dando status de deuses.

    Em linhas gerais, sempre me agradaram as tentativas de criar universos futuristas em literatura, com muito sucesso e beleza, com críticas políticas e humanas contundentes, com parábolas e ironias inesquecíveis. Não entro no mérito de dizer que estas tentativas derivaram do pontapé dos futuristas. Provavelmente não.

    Deixo a dica para a leitura de obras clássicas do nosso século sobre possíveis futuros, sociedades utópicas (caóticas), e que retratam rumos possíveis para a Humanidade.Além de esplêndidas alegorias políticas e sociais.

    1984; A Revolução dos Bichos (George Orwell)
    Admirável Mundo Novo, O macaco e a essência (Huxley)
    O fruto do vosso ventre (Herberto Sales)
    2001 – Uma Odisséia no Espaço (Arthur Clarke)

    (Graduada em Letras Vernáculas pela UESB de Vitória da Conquista)


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