25
Nov
08

Gostar de café

xicara-exp-graos1

Certamente o leitor poderia se perguntar o que há de especial numa xícara de café para torná-lo tema de um blog. Que glamour há nesta bebida que, quando pequenos desgostávamos do seu sabor amargo e aparentemente tão trivial,transbordando das garrafas térmicas, cotidianamente, em nossas mesas – e que, no entanto, passa a ser apreciado, degustado como se outra bebida fosse diferente daquela da infância. Lembro-me de ter formulado tais questões quando casualmente parei diante de um balcão num shopping Center e pedi um café. Meu primeiro espresso. Era barato em comparação às outras opções de bebida que tinha, e diante das minhas limitadas condições financeiras de estudante – que não mudou tanto, apesar dos seis ou sete verões transcorridos – o café era a escolha que tinha. Observando a grande maquina prateada extrair a bebida que me seria servida notava que a idéia que fazia di café uma bebida comum tornava-se mais distante daquela outra que experimentava ali, logo nos primeiros segundos da experiência com o espresso, mais forte, cremoso e amargo do que qualquer cafezinho que já tomara.

Quando tenho de responder o porquê da apreciação, do olhar diferenciado dirigido a esta bebida, o café, gosto de me referir a um escritor que estimo muito, Bertrand Russell. Na coletânea de ensaios O Elogio ao ócio, há um trecho, em que o filósofo relata o momento em que aprendeu o significado etimológico e a história contida entre as silabas de abricó (damasco), e o quanto aquelas informações singulares tornou este fruto ainda mais doce. Eis uma interessante ilustração para a compreensão de que o conhecimento muda a nossa percepção e interação com as coisas do mundo. Para Russell, “o aprendizado de curiosidades não apenas torna menos desagradáveis as coisas desagradáveis, como torna ainda mais agradáveis as coisas agradáveis”.

E assim, quando aprendemos que em torno do café travaram-se guerras, alimentaram-se paixões, revoluções foram inspiradas… Ao saber que outrora, em cafeterias esfumaçadas, como a parisiense Café Procope, poderíamos encontrar Sartre, ou quem sabe Victor Hugo, já direcionamos outro olhar para a mais simples e sofisticada bebida, que, depois da água é a mais consumida no mundo.

Sidarta Rodrigues

Sobre Bertrand Russell

http://www.educ.fc.ul.pt/docentes/opombo/seminario/russell/

Dados sobre o consume de café no mundo

http://www.abic.com.br


1 Response to “Gostar de café”


  1. Novembro 26, 2008 às 8:58 pm

    Sidarta,
    Seu texto é a expressão de uma paixão que é partilhada por centenas de milhares de pessoas por todo o mundo. Assim, não poderia deixar de registar, sem óbice, as minhas impressões sobre essa bebida tão popular.

    CAFÉ
    CAFÉ na chegada. Na partida.
    CAFÉ é forte. É africano.
    CAFÉ não tem classe. É socialista.
    CAFÉ no bar, na padaria, na cafeteria,…
    CAFÉ onde você quiser.
    CAFÉ não é gosto ou aroma.
    CAFÉ é encontro. É conversa.
    CAFÉ é amigo dos livros. É culto.
    CAFÉ uma vez. Muitas vezes.
    CAFÉ da hora. Qualquer hora.
    CAFÉ no ócio. No trabalho.
    CAFÉ. Café. Mais café.

    Parabéns pelo texto!

    Leandra Silva


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