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Dez
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A influência de Apolo e Dionísio na tragédia, segundo Nietzsche – Parte 1

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Estava em minhas horas de folga, em pleno sábado ensolarado, degustando O Nascimento da Tragédia de Nietzsche e, como de praxe, estava acompanhado de uma xícara de café. A obra em questão trata a respeito de dois deuses singulares no panteão grego e também estuda as artes cênicas no âmbito das tragédias, cheguei a algumas ponderações.

Nietzsche tenta focar a importância de Apolo e Dionísio na formação da tragédia na Grécia. Do antagonismo existente entre Febo Apolo, Deus das artes plásticas e Dionísio, Deus da arte não-figurada – como, por exemplo, a música – surge a tragédia grega em seu pleno vigor, e se caracteriza por ser uma tragédia sem a total moderação apolínea ou o total desregramento dionisíaco que foi praticado pelos povos bárbaros, que já cultuava Dionísio.

Apolo e Dionísio, segundo interpretação de Nietzsche, representam os impulsos da natureza, e, tais impulsos são unidos na tragédia trazendo como resultado: uma tragédia sublime. Apolo e Dionísio se relacionam de forma equilibrada e um não pode ficar sem o outro, um impulso da natureza não pode ser manifestado sem a presença do outro.

Apolo também se faz presente no inconsciente do ser humano, através dos sonhos. É notado que muitos artistas tiveram grandes produções após um sonho. Seria Apolo realmente o responsável? Ou um rasgo de genialidade do artista, para se produzir uma obra de arte, o seu autor tem que se livrar do consciente e trilhar o caminho da ilusão, ou seja, o sonho, figurando através das artes figuradas, talvez só ai possa se notar a presença apolínea, mas e Dionísio? Ele não atua liberando os impulsos mais escondidos da alma.

As artes não figuradas poderiam ser caracterizadas por uma idéia do artista que é posta em pratica apolínea como se Dionísio criasse e Apolo praticasse nas artes plásticas.

Para o autor Apolo é o Deus que possui poderes que regem o interior, é o Deus do belo, a divindade que transporta a luz.

Apolo torna o individuo livre das emoções seculares, com sua musica plácida, deixa o individuo tranqüilo em um estado da alma totalmente calma. Sem as perturbações e liberdade dos impulsos da natureza que o Dionisíaco provoca. É válido destacar nesse momento uma diferença da música apolínea em contraposição a dionisíaca.

A música apolínea acalma já a música dionisíaca liberta o individuo das regras impostas por uma sociedade, libera os impulsos mais animais que se pode ter.

Roberto Silva


5 Responses to “A influência de Apolo e Dionísio na tragédia, segundo Nietzsche – Parte 1”


  1. 1 Elly
    Dezembro 7, 2008 às 2:56 pm

    Roberto:
    A Grécia toda sua arte é algo que realmente me encanta.Bom encontra textos como este de extremo bom gosto…Adorei….

  2. Fevereiro 5, 2009 às 8:15 pm

    Um muito obrigado por me ajudar a comprender isto.
    tenho um teste de estetica amanha e sem isto acho que “ele” não seria possivel!

  3. 3 mayara
    Maio 2, 2010 às 1:09 pm

    Muito bom mesmo.
    muito clara a ideia.

    goatei muito!!!

  4. 4 Adelson
    Junho 22, 2010 às 4:46 pm

    Muito interessante o artigo, concordo plenamente.

  5. 5 Wilson Bernardes
    Setembro 9, 2011 às 1:46 pm

    compreender a sí próprio é compreender os mitos que a humanidade criou no decorrer dos tempos para explicar sua natureza divina. Nesse aspecto Nitzsche deu um grande passo para co duzir a humanidade em busca de seu além homem…


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