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A influência de Apolo e Dionísio na tragédia, segundo Nietzsche – Parte 2

dionisio

Continuando as ponderações iniciadas no texto anterior acerca dos deuses Apolo e Dionísio, chego a mais algumas considerações acerca do estudo de Nietzsche sobre O Nascimento da Tragédia.

Febo Apolo – Deus da beleza e do encobrimento do horrível – segundo Nietzsche foi o Deus do panteão responsável pelo afloramento da individualidade do homem.

Apolo utiliza o véu de Maia. Esta é uma possível contradição sobre a natureza apolínea. Isto quer dizer que ele tenta encobrir o horrível com uma aparência de beleza. Isso não tolheria a individualidade? Pois com o encobrimento do “horrível” o indivíduo passaria a compor um padrão estético determinado pelo próprio deus que preconiza a individualidade.

Talvez por isso, Dionísio com seu desregramento, aflore toda a sinceridade do individuo, não seria isso sim um principio de individuação? Apolo com sua dissimulação do horrível atua com a verdadeira individuação?

Pois individualidade se entende por algo único e que para surgir tem que ser em estado de sinceridade, Apolo, no entanto, dissimula o horrível com um véu de beleza. Dionísio, por sua vez, liberta o individuo com a embriaguez da chegada da primavera ou através de narcóticos.

O efeito dionisíaco liberta o homem do seu estado convencional, o escravo deixa de ser escravo e o aristocrata passa ao mesmo nível de um cidadão comum. Aqui, Nietzsche deixa transparecer algo bem próximo do que conhecemos atualmente como cristianismo.

O homem nesse momento do afloramento dionisíaco começa a compreender a criação, a sua própria existência, o efeito embriagador dionisíaco o liberta dos grilhões da sociedade, elevando-o a um grau acima da realidade, como se ele próprio se tornasse por instantes um Deus. Como salientou o autor, para compreender a sua situação, é necessário que o indivíduo a enxergue de fora, então só a embriaguez dionisíaca lhe proporciona tal estado de desprendimento do real.

Portanto, na tragédia, tanto Apolo quanto Dionísio atuam ostensivamente na libertação do individuo, entretanto cada um com suas formas de atuação, sendo algumas vezes antagônicas.

Roberto Silva


1 Response to “A influência de Apolo e Dionísio na tragédia, segundo Nietzsche – Parte 2”


  1. 1 rafael ribeiro
    Maio 31, 2011 às 5:05 pm

    legal, atraves disso fiz meu trabalho de filosofia…..

    valew…


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