23
Dez
08

Reencontro com Kafka

kafka

De férias. Como de costume, dediquei os primeiros dias em que acordar tarde seria um dos melhores prêmios depois de um semestre de faculdade para arrumar a mesa e estante onde se amontoam meus papéis. Ao final daquela “prospecção” entre tão variados assuntos, encontrei um texto meio desbotado, que julgava ter perdido há alguns anos. Eram fragmentos de Kafka que havia achado e reunido na internet, alguns aforismos, contos, frases, tudo ali, misturado em três paginas de papel esquecido.

Neste dia, no fim da tarde, resolvi ir à livraria ver se encontrava algum livro dele que não possuía. Ao perguntar por Kafka fui interpelado por um dos vendedores que me perguntou – “é aquele da barata não é?” Disse que sim, pois, embora em nenhum momento Kafka tenha dito que Gregor Samsa se transformou em uma “barata”, havia entre o vendedor e eu uma mínima comunicação capaz de identificar o autor de “A metamorfose“, livro pelo qual ficou bastante conhecido. Ainda me lembro o impacto que me causou as primeiras frases deste livro que sempre volto a ler: “certa manhã, após acordar de sonhos intranqüilos, Gregor Samsa viu-se deitado em sua cama, transformado num monstruoso inseto.”

A linguagem kafkiana, que de inicio me desconfortava, com o tempo se tornou a melhor expressão de coisas intraduzíveis, de angustias pouco afeitas a adjetivos e prolixidades descritivas. Era preciso encontrar um texto cru, aberto à imaginação, tão real que se tornaria absurdo. E aos poucos fui conhecendo, admirando e compreendendo os textos de Franz Kafka.

Apesar de não encontrar o livro que procurava Cartas ao pai, encontrei a revista “Entre Clássicos“, edição especial da revista mensal Entre Livros da editora Duetto, que é totalmente dedicada a Kafka, numa análise de sua obra e biografia. Recomendo esta revista pela sua qualidade editorial.


Sidarta Rodrigues

Link para revista no site da Duetto:

https://ssl430.locaweb.com.br/clubeduetto/loja/detalhe_produto.asp?ctgr=25&prdt=948


2 Responses to “Reencontro com Kafka”


  1. 1 Chris de Carvalho
    Dezembro 23, 2008 às 2:23 am

    O texto traduz o seu bom humor naquele momento, mas não vai longe do seu objetivo.
    E não se iluda, muito poucos possuem sua sagacidade e direção!!
    Orgulhosa, devria eu dizer. Mas por que? Oras, longa data de admiração…não basta??
    Á mim é altamente suficiente,rsrs.

    Tá aqui ó…dentro do meu lado esquerdo…não sai não!!!

  2. Janeiro 31, 2009 às 6:39 pm

    Kafka foi uma grande descoberta para mim. Muito bom ver alguém falar dele e das sensações suscitadas por sua escrita. A mais forte que tenho, pelo menos ao final da leitura de Metamorfose, é o desconforto pela naturalidade extremamente cruel como a família de Samsa se comportou após a sua morte… Argh… vejo essa indiferença me incomodar ainda nos dias de hoje. E o pior de tudo, ela está presente em muitos lugares…

    Parabéns pelo Blog… abraços


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