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Dez
08

A influência de Apolo e Dionísio na tragédia, segundo Nietzsche – parte 3

dionisio_apolo

Esse livro apresentou muitos detalhes importantes, levando-me a estender um pouco mais acerca das reflexões sobre o nascimento da Tragédia, e dando continuidade as ponderações anteriores, seguirei dissecando a obra de Nietzsche.

Para reafirmar as posições antagonistas de Apolo e Dionísio é valido lembrar que o primeiro é o Deus da imagem, da luz, já o segundo o Deus do oculto, da essência. Apolo faz lembrar o indivíduo que ele é como parte de um corpo que tem sua missão a cumprir, tem regras a executar, já Dionísio manifesta no indivíduo sua vontade de transgredir as regras.

A manifestação do dionisíaco é a chance do indivíduo fugir um pouco do nada em demasia apolíneo. Não seria o desregramento dionisíaco a verdadeira afirmação da singularidade?

Para o autor, Apolo personifica a individualidade do homem através do principium individuationis, porém a singularidade não seria uma afirmação contraria ao compor o todo? Não seria um desregramento que o herói trágico alcança se afirmar único e senhor da sua vontade? Ação esta que o leva a ser destruído como o próprio Édipo, que tentou fugir do nada em demasia e acabou dilacerado pelo Deus, ele simplesmente tentou traçar sua singularidade.

Tal ação foi uma afronta ao permitido por Apolo, então permito me arriscar, o que realmente Apolo deveria dizer, poderia ser consciente a ti mesmo e veja se não tem um bárbaro dionisíaco escondido e nada em demasia, doma esse impulso dionisíaco, se não será punido.

Pensando dessa forma, chegamos a um ponto onde o individuo poderá ser singular com um Deus controlando suas ações a partir de tais ditames.O mundo grego seria um tédio sem o aparecimento de Dionísio para afrouxar as regras.

Roberto Silva


1 Response to “A influência de Apolo e Dionísio na tragédia, segundo Nietzsche – parte 3”


  1. 1 Leandra Silva
    Janeiro 28, 2009 às 2:08 am

    Roberto, gostei muito dos seus três textos que reportam sobre a obra de Nietzsche, esse crítico da cultura ocidental e suas religiões e, conseqüentemente, da moral judaico-cristã. Considero a obra desse “cara” bastante densa e você conseguiu trazer elementos com muita leveza. Tantos leitores e estudiosos de Nietzsche, como Foucault, Deleuze ou Klossowski procuraram desvendar esse autor, considerado um dos mais controversos na história da filosofia moderna, ainda assim há muito o que escrever sobre sua obra.


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