22
Jan
09

Da amizade

1

Há algum tempo o tema “amizade” tem ocupado um importante espaço entre meus pensamentos mais recorrentes, no entanto, este texto, na medida em que vai sendo construído, traz consigo tão somente algumas poucas impressões – vagas representações daquele sentimento que motivou a minha escrita. Isto não se deve a outro motivo senão o de que tento discorrer sobre algo que está no campo do não dito – um sentimento que cresce na silenciosa confiança entre as pessoas, sendo definitivamente algo que não se pede, e que muito menos é passível de compra.¹

Talvez nenhuma palavra ou argumentação deste pequeno texto contenham o efeito que somente a verdadeira experiência de tal sentimento possa lhe conferir a intensidade.

Temas como amor e amizade ganham da retórica a lucidez e uma compreensão astuta, mas, ao mesmo tempo, as palavras roubam parte da essência destes poderosos combustíveis da vida humana. Abandono qualquer tentativa de análise e me satisfaço com um breve relato.

Ao voltar dez anos no tempo – quando este ainda demorava a passar – me deparo com as lembranças de uma época onde costumava passar longas tardes entre os amigos, a falar sobre qualquer coisa e também compartilhar o ócio e lanches da tarde.  Talvez a melhor palavra que me ocorre neste momento para caracterizar estes laços da amizade juvenil seja  cumplicidade.  A liberdade e intensidade que marcaram estes anos, tão bem guardados no passado,   proporcionaram frutos que fortaleceram amizades que perduram até hoje, tempo onde o trabalho domina todos nossos minutos.

E esta amizade que se estendeu pelos anos que tudo transformaram, trouxe consigo os resquícios do tempo em que caminhávamos pelas ruas noturnas sem temer os riscos, tempo dos apelidos e das preocupações em nada parecidas com as de hoje. Do cultivo destes preciosos laços duradouros nasce uma forma muito interessante de lidar com o tempo. São as conversas que relembram estórias em seus detalhes, piadas que só têm graça e sentido para os amigos que se encontram e fazem o tempo parar, virando-o do avesso.

“A melhor parte da vida de uma pessoa está nas suas amizades”²

1-       Outro dia vi na internet um serviço chamado personal friend. Parece brincadeira, mas é um amigo que contratamos, para nos acompanhar em festas ou até mesmo para bater um papo.

2- A.Lincoln

*post dedicado aos amigos jajá, aimoré, Roberto e Anderson. Longas datas.

Por Sidarta Rodrigues


4 Responses to “Da amizade”


  1. 1 Joilma Machado
    Janeiro 23, 2009 às 12:01 pm

    Um bom texto Sidarta!
    PARABENS!

  2. 3 Chris de Carvalho
    Janeiro 28, 2009 às 12:47 am

    Palavras menos medievais,hahahaha!!!
    Lindo texto! Os homenageados devem ter ficado emocionados.
    Amizade independe do tempo ou da forma de viver de cada um. Quando verdadeira rompe espaços e transpõe dificuldades. Não são somente as melhores coisas de nossa jornada, arriscaria dizer que são as únicas incondicionais. Isso,até nascerem nossos filhos, que devem compartilhar este espaço em nossas vidas.

    • 4 cafelittera
      Janeiro 28, 2009 às 12:51 am

      obrigado pela cordialidade chris. concordo no que diz que a amizade independe do estilo – forma de viver de cada um. acho que por isso é algo ainda mais bonito. obrigado pelas palavras. ah sim! menos medieval e mais jornalista srsrsr boa observaçao a tua.


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