15
Fev
09

Filme – O leitor

thereader

Para inaugurar a sessão Café e resenha, pretendo falar um pouco das impressões que tive sobre o filme O leitor. Indicado ao Oscar em 5 categorias[1], o filme é protagonizado pela atriz britânica Kate Winslet, que encena o papel de Hanna Schmitz, cobradora de um bonde, na Berlim de 1950.

Quando Hanna ajuda um garoto de 15 – Michael Berg – que, febril, passava mal numa tarde chuvosa, tem início a trama, da paixão de um jovem por uma mulher vinte anos mais velha. Ao recuperar a saúde, Michael volta à casa de Hanna para agradecer o cuidado que tivera, o jovem tem contato com o novo mundo que tão logo seria o centro de vida. A iniciação ao sexo, as tardes diárias em que corria do colégio para casa de Hanna, eram os índicios de que fora arrebatado pela paixão. Hanna, por sua vez, pragmática e um tanto indiferente, tinha um momento de maior intimidade com o jovem. Pedia para que ele lesse trechos de livros que trazia do colégio, entre as obras, Homero e Tchekov.

Certo dia, ao chegar a casa de Schmitz e ver tudo abandonado, nota que ela o deixara, sem qualquer explicação, e ali, percebe o fim de seu primeiro, curto e intenso relacionamento com uma mulher.

Anos mais tarde, Michael, agora estudante de direito, poderia ver Hanna mais uma vez. As condições deles, entretanto, eram bastante diversas. Ele, estudante, observando um julgamento. Ela, ré, acusada de crimes durante o Holocausto.

O choque do contato repentino com a imagem daquela mulher, ainda mais velha, que tanto amara, associado a crimes contra humanidade o deixa confuso. Ele ouve, uma das acusações onde é relatado o estranho pedido que Hanna fazia algumas jovens nos campos de concentração. Pedia para que lessem algo para ela. O fato de aceitar a acusação de ser a principal relatora do grupo de acusadas torna ainda mais confuso Michael, O leitor, que tinha a informação de que aquela mulher, sentada diante dos seus acusadores, era analfabeta…

O filme retrata de maneira muito interessante os momentos em que a paixão muda a vida de um jovem e de como a imagem de sua primeira amante não desvaneceu com o tempo. A questão sobre a responsabilidade de crimes de guerra assume um destaque importante no meio do filme, longe de ser um clichê, temos a imagem de uma acusada que é ao mesmo tempo a protagonista de uma historia marcante na vida de Michael. O jovem, agora um homem, advogado, pai, não deixaria de ser O leitor. Sua voz, gravada em diversas fitas, atravessam o muro da prisão onde Hanna se encontra, levando capítulos da mais diversificada literatura. É no presídio que a ex-membro da SS nazista aprende a ler, dando mais um toque sutil na trama deste filme que é um forte concorrente às estatuetas do Oscar nas categorias em que concorre.


[1] Indicações ao Oscar 2009: melhor atriz (Kate), melhor filme, diretor, roteiro adaptado e fotografia.

2 – Filme lançado em 2008, chegou ao Brasil em 2009, título original: The reader (drama).

link para o trailer:

http://www.youtube.com/watch?v=I50ZKFCqr8g

Por Sidarta Rodrigues


2 Responses to “Filme – O leitor”


  1. Fevereiro 16, 2009 às 12:55 am

    Estou curiosa por vê-lo. Tem algo com o qual me identifico, não sei por que. Costumo ter aversão à todo tipo de filme que envolva o nazismo,mas este em especial,traz algo que me é familiar!
    Como “escritor”, conseguiu captar o miolo da questão. Parabéns!

  2. 2 Tâmara Rodigues
    Janeiro 17, 2010 às 5:00 pm

    Olá,

    Bem, certamente “O leitor” é um excelente filme, antes de mais nada, não faço culto ao nazismo, porque na verdade não é esta a sua essência. “O leitor” é sim, um românce entre um menino e uma munher que por ter serios problemas psicológicos (solidão interna) faz com que ela no meu entendimento se alie ao nazismo no holocauto. Hanna faz com que Michel com muita timidez passe a ter uma vida sexual ativa, digamos que bem ativa e bem aventurada e com muita literatura, boa ou ruim mais literatura.
    Triste?, não o classifico dessa forma, apersar do fimal pegar todos com o suicídio de Hanna depois de anos trancafiada em uma prisão, talvez, ali foi onde ela percebeu o que fez, o que não fez e o que queria realmete ter feito em sua vida. Bem por mais triste que isso pareça muitas pessoa precisam passar por isso e se vivemos hoje em sum suposto holocauto é porque pessoas não tiveram essa “oportunidade” de ver o caminho que estão tomando, e é ali, trancafiada que aprender a ler com o apoio de Michel, talvés este tenha sido um filme para pensarmos em nossas escolhas, a que grupo pertencemos e o que realmente defendemos…?

    Este, pode ser acompanhado com um cafezinho (rs), concerteza se dizer que vale a pena comer com algumas pipocas Roberto iria realmente discordar de mim (rs)
    Ótima passagem…resumo…resenha sobre o filme.


Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s


%d bloggers like this: