Archive for the 'Café e resenha' Category

28
Set
10

O Príncipe Maldito


Antes de retomar a série de textos sobre o café no Brasil, destaco a leitura sobre um período de mudanças na trajetória política do país, a segunda metade do século XIX, que foi palco de conspirações, jogos de alianças, traições, desilusões, loucura e decrepitude. Tratando da Família Imperial Brasileira às vésperas do fim do Império, o livro “O Príncipe Maldito” de Mary Del Priore é de leitura interessante.

Nesta obra, a autora expõe com bastante vivacidade a intimidade da família Bragança – corroída por intrigas, perfídias e uma intensa melancolia – nas páginas desse livro, que a primeira vista pode parecer conto de fadas. A leitura nos revela um personagem trágico e melancólico, de protagonista a esquecido, de efusivamente aplaudido pelo povo e pelos aristocratas ao anonimato, sondado com Pedro III a loucura do seu palácio em Viena. Onde nos registros históricos se encontra D. Pedro Augusto de Saxe-Coburgo e Bragança, cópia fiel do avô Imperador? Príncipe jovem, belo e rico, talentoso e aparentemente saudável, provável herdeiro do maior império das Américas.

Para aqueles que gostam de conhecer a história por detrás das cortinas e das máscaras da dissimulação, Del Priore apresenta detalhes interessantes, reveladores e elucidativos ao analisar a família Bragança, sobretudo ao mostrar como as indecisões, medos e angústia podem tornar o poder um grande fardo, difícil de ser carregado. Del Priore se encarrega nessa obra de nos revelar os bastidores da Família do Império, dos herdeiros do trono.

Título: O Príncipe Maldito (2007)

Autor(a): Mary Del Priore

Editora: Objetiva

Edição: 1ª

Número de páginas: 307

Por Roberto Silva

16
Nov
09

café, livros e jazz – Salvador

Ler com Jazz

A tão atraente combinação de jazz, café e livros ganhou espaço no projeto Ler com Jazz  realizado na Galeria do livro e arte, no Rio Vermelho. Todas sextas-feiras, a partir das 19:oo horas, um trio de jazz se apresenta no interior da livraria. Numa formação intimista, o trio é composto por baixo acústico, bateria e guitarra,composto por músicos já conhecidos no cenário do jazz em Salvador. A galeria é tão aconchegante que o fato de haver poucas mesas no local não causa prejuízo algum aos frequentadores do projeto. Entre puffs e cadeiras espalhadas pelo amplo salão da loja é possível desfrutar da leitura dos mais variados títulos presentes no acervo. O café da galeria é uma franquia da Lucca, cafeteria pioeneira na cidade na linha de cafés gourmets, atualmente a melhor das redes de cafés que encontramos em Salvador. Um detalhe importante: é gratuito!

link para site da galeria

http://www.galeriadolivro.com.br/capa/index.php

06
Ago
09

Luis Bonaparte por Karl Marx

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A França na metade do século XIX passava por um momento de grande convulsão social, onde partidos e facções se revezavam no poder, e no meio dessa confusão, um sujeito extremamente oportunista, surge com astucia suficiente para tomar as rédeas do poder: Luis Bonaparte, sobrinho do grande General Napoleão Bonaparte.

Karl Marx analisa de forma detalhada toda essa situação na França em um artigo escrito entre dezembro de 1851 a março de 1852 intitulado: O 18 de Brumário de Luis Bonaparte, nesse texto Marx disseca os detalhes da ascensão política de Luis Bonaparte em meio ao distúrbio político e social pelo qual a França atravessava nesse período nefasto de sua história.

Marx em seu texto expõe o jogo de poder que se abateu sobre a França naquele momento turbulento, segundo ele o proletariado que começava a se organizar como classe, foi utilizado em varias ocasiões por outros grupos político, e no final dos embates sempre saía mais enfraquecido.

Em algumas ocasiões o proletariado se aliou ao Partido Montanha – partido da pequena burguesia – essa aliança foi firmada para combater o inimigo comum que era o Partido da Ordem composto de monarquista e da aristocracia financeira.

Em meio a esses embates que também envolviam as forças armadas, um pequeno grupo ganhava poder e prestigio, eram os Bonapartistas encabeçados pala figura de Luis Bonaparte. Este por sua vez gozava de grande prestigio junto aos menos favorecidos da sociedade francesa, levando grande vantagem sobre os demais concorrentes ao poder político no país naquele momento.

Entretanto Marx afirma que Bonaparte tomava as suas decisões de forma cautelosa, sem alarde e também se valia do fascínio que seu sobrenome causava sobre os menos favorecidos e sobre o campesinato frances, para paulatinamente galgar a presidência da França.

Ao chegar a Presidência da República, ele teve que lutar com grande astucia para manter as prerrogativas do poder executivo e também contornar as vaidades das varias facções políticas e seus partidos. Convivia com a possibilidade de golpe por parte desses partidos, no entanto sorrateiramente sedimentava sua base política para seu próprio golpe que seria desferido em momento oportuno.

Continua…

Karl Marx O 18 Brumário de Luis Bonaparte

Por Roberto Silva.

01
Jul
09

Meus Triunfos Meus Erros

Esse período de recesso tem se revelado bastante gratificante, tenho feitos algumas leituras obrigatórias para o prosseguimento de meus estudos de historiografia e assistido com muito deleite um seriado do qual me afeiçoei bastante chamado Battlestar Galáctica.

Portanto o que desejo chamar a atenção nesse seriado que estou assistindo não é a sua história propriamente dita, mas uma frase que me intrigou em determinado episodio, ao ponto de colocar em pausa e retornar para transcreve-la:

“Para ouvir, é preciso ter voz, para conhecer o que se quer saber, é preciso que se pergunte.”

Essa simples frase se encontra eivada de significados que a principio pode passar despercebida, por isso a minha necessidade de voltar a cena para ler e transcrevê-la.

O personagem que pronunciou este reflexão chama-se Gaius Baltar. Na série ele escreve um manifesto chamado Meus Triunfos Meus Erros, no qual questiona abertamente a situação da sociedade, evidenciando tensões e em certa medida a luta de classes, seus idéias talvez tenham sido inspirado pelos textos de Karl Marx. levando a esse questionamento que me intrigou.

Acredito que mesmo nos momentos de lazer e descanso podemos ter algum aprendizado, que nos auxilie na busca pela compreensão da realidade, contudo não pretendo afirmar que devemos nos divertir com a percepção aguçada para colher de forma compulsória alguma informação.

Por Roberto Silva

14
Abr
09

Hermann Hesse (1877 – 1962)

hesse

Caro leitor, estes dias em que estive em casa, aproveitei o tempo livre para arrumar algumas caixas onde guardo uma parte de meus livros, e tive o prazer de encontrar uma obra para o qual tenho grande apreço: Felicidade de Hermann Hesse, esse livro me foi presenteado por Sidarta em um aniversário, só não me recordo qual ano, espero que ele me perdoe por esse lapso de memória. Tenho carinho especial por esse livro, me proporcionou momentos agradáveis de leitura.

Neste livro Hesse reflete sobre o cotidiano e o seu trabalho como escritor. Um Hermann Hesse revelado como nunca antes. Na tranqüilidade de sua casa aproveita para passear pelas reminiscências de sua vida, e a aborda alguns temas, entre eles um tema muito querido por ele: felicidade.

“Entre as palavras, existem para cada falante as prediletas e as estranhas, preferidas e evitadas, cotidianas – que se usam mil vezes sem temer o desgaste – e outras – solenes – que, por mais que as amemos, só pronunciamos ou escrevemos com cuidado e reflexão, como objetos raros: fazendo as escolhas que correspondem a essa sua solenidade. Entre elas está para mim a palavra felicidade.”

Esse trecho é apenas uma noção da beleza desse livro, espero que os leitores gostem dessa dica de leitura, trata-se de uma obra despretensiosa do autor de vários livros consagrados, entre eles O lobo da estepe, Demian, Sidarta, entre outras obras bastante conhecidas.

Felicidade

Autor: Hermann Hesse

Editora Record

Paginas: 157

1999

Por Roberto Silva

11
Abr
09

Filme – 21 gramas

Feriado prolongado e mais uma sugestão de filme.
21 gramas ou Da leveza da alma. Do peso do amor. Numa tensão angustiante, é isto que encontraremos neste intrigante filme. Embora o tenha assistido há algum tempo atrás, ainda permanecem vívidas em minha memória algumas falas, a trama ainda me favorece o silêncio e a reflexão …Vi hoje, na prateleira de alguma locadora, este que é um dos filmes que mais gosto.O que somos para além de todas as coisas rotineiras? para além de nossa expectativa que goza no repouso, saciedade e segurança? De nossa leve essência esquecemos para no corpo plúmbeo entregar nossos atos irrefletidos – atrocidades humanas.

* * *

(trecho do filme)
Quantas vidas vivemos?
Quantas vezes morremos?
Dizem que todos nos perdemos 21 gramas no momento exato de nossa morte
Todos.
Quanto cabe em 21 gramas?
Quanto é perdido?
Quando perdemos em 21 gramas?
Quanto se vai com eles?
Quanto é ganho?
Quanto é ganho?
21 gramas.
O peso de cinco moedas de cinco centavos, o peso de um beija-flor.
Uma barra de chocolate
Quanto pesam 21 gramas?

21 Gramas(2003) – EUA

Drama – 125 min.

Por Sidarta Rodrigues

05
Abr
09

filme – Gran Torino

Caros leitores, começarei esse breve comentário sobre o filme Gran Torino, película que tem como titulo o nome do automóvel Ford Torino, destacando a atuação impecável de Clint Eastwood; simplesmente muito boa! Ele interpreta Walt Kowalski, um veterano da guerra da Coréia que vive atormentado com as lembranças e os horrores da guerra, após a morte de sua amada esposa essa situação se agrava, e ele passa a viver muito solitário em sua residência.

Kowalski possui dois filhos, mas a relação entre eles é bastante complicada, tendo um profundo desprezo pelo modo de vida deles e de seus netos, mas um fato inusitado muda a rotina de sua solitária vida: a chegada de imigrantes chineses para casa ao lado da sua.

No inicio dessa relação ele tem aversão pelos vizinhos orientais e pelos seus costumes, chama-os de “bárbaros.” Uma circunstância bastante estranha ocorre; o seu vizinho Thao, incentivado por uma gangue chinesa, tenta roubar o precioso Gran Torino, modelo 1972, de Kowalski. É a partir desse fato inusitado que os caminhos desses dois personagens se cruzam e mudam as suas respectivas vidas.

Kowalski supera os seus traumas de guerra, começa a ajudar Thao ensinando toda sorte de coisas, e o mais importante: ensina a ser um verdadeiro homem, com coragem para tomar decisões difíceis.

Clint Eastwood com essa brilhante atuação enriquece mais ainda a sua belíssima carreira ao interpretar esse personagem. O filme foge a regra dos clichês do cinema americano e leva o espectador a refletir sobre conflitos sociais, étnicos, religiosos…

Titulo: Gran Torino (drama)

Lançado em 2009

Duração: 117 minutos

Por Roberto Silva