Archive for the 'Literatura' Category

28
Set
10

O Príncipe Maldito


Antes de retomar a série de textos sobre o café no Brasil, destaco a leitura sobre um período de mudanças na trajetória política do país, a segunda metade do século XIX, que foi palco de conspirações, jogos de alianças, traições, desilusões, loucura e decrepitude. Tratando da Família Imperial Brasileira às vésperas do fim do Império, o livro “O Príncipe Maldito” de Mary Del Priore é de leitura interessante.

Nesta obra, a autora expõe com bastante vivacidade a intimidade da família Bragança – corroída por intrigas, perfídias e uma intensa melancolia – nas páginas desse livro, que a primeira vista pode parecer conto de fadas. A leitura nos revela um personagem trágico e melancólico, de protagonista a esquecido, de efusivamente aplaudido pelo povo e pelos aristocratas ao anonimato, sondado com Pedro III a loucura do seu palácio em Viena. Onde nos registros históricos se encontra D. Pedro Augusto de Saxe-Coburgo e Bragança, cópia fiel do avô Imperador? Príncipe jovem, belo e rico, talentoso e aparentemente saudável, provável herdeiro do maior império das Américas.

Para aqueles que gostam de conhecer a história por detrás das cortinas e das máscaras da dissimulação, Del Priore apresenta detalhes interessantes, reveladores e elucidativos ao analisar a família Bragança, sobretudo ao mostrar como as indecisões, medos e angústia podem tornar o poder um grande fardo, difícil de ser carregado. Del Priore se encarrega nessa obra de nos revelar os bastidores da Família do Império, dos herdeiros do trono.

Título: O Príncipe Maldito (2007)

Autor(a): Mary Del Priore

Editora: Objetiva

Edição: 1ª

Número de páginas: 307

Por Roberto Silva

04
Jun
10

Clássicos da literatura reeditados – editora Abril

Desde o mês passado, podemos encontrar nas bancas de revistas, clássicos da literatura universal numa bela edição capa dura, por um preço acessível. Por apenas R$14,90 os amantes dos livros podem adquirir alguns dos títulos mais marcantes da literatura mundial. O primeiro título lançado foi Crime e castigo de Dostoiévski, em volume duplo. A editora, que já há muito tempo publica periodicamente a coleção, inovou, reeditando títulos como A volta do parafuso, do escritor norte-americano Henry James. No site da coleção é possível encontrar detalhes e resumos de cada obra a ser lançada, com as datas em que estarão nas bancas!

http://www.classicosabrilcolecoes.com.br

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23
Mar
10

Kafka, sobre os livros.

Trecho da carta escrita por Franz Kafka a Oscar Pollak, em 1904

“Acho que só devemos ler a espécie de livros que nos ferem e trespassam. Se o livro que estamos lendo não nos acorda com uma pancada na cabeça, por que o estamos lendo? Porque nos faz felizes, como você escreve? Bom Deus, seríamos felizes precisamente se não tivéssemos livros e a espécie de livros que nos torna felizes é a espécie de livros que escreveríamos se a isso fôssemos obrigados. Mas nós precisamos de livros que nos afetam como um desastre, que nos magoam profundamente, como a morte de alguém a quem amávamos mais do que a nós mesmos, como ser banido para uma floresta longe de todos. Um livro tem que ser como um machado para quebrar o mar de gelo que há dentro de nós. É nisso que eu creio.”

23
Jun
09

A infelicidade da juventude – Schopenhauer

Schopenhauer

O que faz da juventude um período infeliz é a caça à felicidade, na firme pressuposição de que ela tem de ser encontrada na existência. Disso resulta a esperança sempre malograda e, desta, o descontentamento. Imagens enganosas de uma vaga felicidade onírica pairam perante nós revestidas de formas caprichosamente escolhidas, fazendo-nos procurar em vão o seu original. Por isso, nos anos da juventude, estamos quase sempre descontentes com a nossa situação e o nosso ambiente, não importando quais sejam; porque lhes atribuímos o que na verdade pertence, em toda a parte, à vacuidade e à indigência da vida humana, com as quais só então travamos o primeiro conhecimento, após termos esperado coisas bem diversas. Ganhar-se-ia bastante se, pela instrução em tempo apropriado, fosse erradicada nos jovens a ilusão de que há muito a encontrar no mundo. Porém, é o contrário que acontece: na maioria das vezes, conhecemos a vida primeiro pela poesia, e depois pela realidade. Na aurora da nossa juventude, as cenas descritas pela poesia resplandecem diante dos nossos olhos, e o anelo atormenta-nos para vê-las realizadas, a tocar o arco-íris. O jovem espera que o curso da sua vida se dê na forma de um romance interessante. Nasce, então, a ilusão descrita no já mencionado segundo volume da minha obra principal. Pois o que confere a todas aquelas imagens o seu encanto é justamente o facto de elas serem meras imagens, e não a realidade, e nós, por conseguinte, ao intuí-las, encontrarmo-nos na calma e na suficiência plena do conhecer puro. Tornar-se realizado significa ser preenchido pelo querer, que inevitavelmente produz dores.

Arthur Schopenhauer, in ‘Aforismos para a Sabedoria de Vida’

27
Abr
09

Sobre a dúvida

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“A dúvida é desagradável, mas a certeza é ridícula.”

Voltaire

14
Abr
09

Hermann Hesse (1877 – 1962)

hesse

Caro leitor, estes dias em que estive em casa, aproveitei o tempo livre para arrumar algumas caixas onde guardo uma parte de meus livros, e tive o prazer de encontrar uma obra para o qual tenho grande apreço: Felicidade de Hermann Hesse, esse livro me foi presenteado por Sidarta em um aniversário, só não me recordo qual ano, espero que ele me perdoe por esse lapso de memória. Tenho carinho especial por esse livro, me proporcionou momentos agradáveis de leitura.

Neste livro Hesse reflete sobre o cotidiano e o seu trabalho como escritor. Um Hermann Hesse revelado como nunca antes. Na tranqüilidade de sua casa aproveita para passear pelas reminiscências de sua vida, e a aborda alguns temas, entre eles um tema muito querido por ele: felicidade.

“Entre as palavras, existem para cada falante as prediletas e as estranhas, preferidas e evitadas, cotidianas – que se usam mil vezes sem temer o desgaste – e outras – solenes – que, por mais que as amemos, só pronunciamos ou escrevemos com cuidado e reflexão, como objetos raros: fazendo as escolhas que correspondem a essa sua solenidade. Entre elas está para mim a palavra felicidade.”

Esse trecho é apenas uma noção da beleza desse livro, espero que os leitores gostem dessa dica de leitura, trata-se de uma obra despretensiosa do autor de vários livros consagrados, entre eles O lobo da estepe, Demian, Sidarta, entre outras obras bastante conhecidas.

Felicidade

Autor: Hermann Hesse

Editora Record

Paginas: 157

1999

Por Roberto Silva

20
Mar
09

Fábula Curta – Kafka

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“Ai de mim!”, disse o rato, “o mundo vai ficando dia a dia mais estreito”.

“Outrora, tão grande era que ganhei medo e corri, corri até que finalmente fiquei contente por ver aparecerem muros de ambos os lados do horizonte, mas estes altos muros correm tão rapidamente um ao encontro do outro que eis-me já no fim do percurso, vendo ao fundo a ratoeira em que irei cair”.

“Mas o que tens a fazer é mudar de direção”, disse o gato, devorando-o.

*Traduzido por Torrerrieri Guimães