Archive for the 'Uncategorized' Category

30
Out
11

Fernando Pessoa (1888 – 1935)

 

 

Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.
Quem quer passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu.

04
Jun
10

cafelittera agradece

Em um pouco mais de 1 ano de site, o Cafélittera, o nosso Café literário, recebeu mais de 34 mil visitas, de toda sorte de lugares. Amantes do café, da poesia, da literatura, visitantes dos interiores mais recônditos, dos países mais distantes! Estamos felizes com o resultado deste trabalho totalmente independente, com a resposta dos visitantes aos conteúdos publicados. Agradecemos a todos e pedimos para que continuem apoiando esta idéia!

Estamos iniciando uma nova fase do site, que contará com entrevistas, textos selecionados, promoções, e contamos com vocês nesta parceria! Acompanhem o Cafelittera, comentem os posts, enviem textos, sugestões e críticas!

Saudações literárias,

Roberto e Sidarta

14
Maio
10

Do medo – Octavio Paz

“As massas humanas mais perigosas são aquelas em cujas veias foi injetado o veneno do medo. Do medo da mudança.”

29
Set
09

Um bairro chamado nostalgia

Um dia de semana, à tarde. Numa rua estreita, crianças jogam futebol – traves improvisadas pelas pedras, bola que cai no telhado do vizinho. Outros pequenos empinam suas pipas numa batalha aérea – colorida e entusiasmada. Um pouco adiante, na praça, alguns senhores jogam dama, outros, dominó. Aos que não apetece o jogo, uma conversa no banco ou pequena caminhada – talvez até uma visita a igreja logo ali em frente. Nos poucos bares onde encontramos os mesmos freqüentadores, os mesmos pedidos, as conversas antigas que se atualizam. Quem bebe em Antonio não bebe em Francisco, a freguesia é aquela de sempre, quase um clube.

Quem está à janela vê o vendedor de frutas anunciar sua mercadoria, ouve o triangulo do vendedor de taboca, o aviso de que vende-se gás, milho, picolé, ou escuta a campanhia de casa, tocada por algum pedinte, tal como tocada por uma esperada visita. As moradias nada obedecem à verticalização das grandes cidades, com seus prédios de luxo e segurança. São meias-paredes, herança lusitana – a minha parede é a mesma do vizinho, a ponto de não ser difícil nos escutarmos no silêncio da noite.

Aparentemente é da vida no interior tais registros. A vida pacata entre os poucos carros e tudo ao alcance de poucos passos: a padaria, o armazém, o médico, a escola. Espanta saber que em dez minutos chega-se ao centro financeiro da cidade, com seus prédios altos, buzinas, semáforos, engarrafamentos. No centro da capital baiana, um lugar onde o tempo parece passar mais devagar, o novo e antigo se misturam pacificamente. Estamos no Santo Antônio além do Carmo.

Cresci neste bairro do centro histórico de Salvador. As imagens descritas são recentes, embora tão parecidas com as lembranças de dez anos atrás, quando era eu quem fazia dos chinelos os limites do gol, e quase sempre, era escolhido pelo tom político me atribuíam, para buzinar e pedir ao vizinho a bola que caíra em seu telhado. De lá pra cá a rotina do bairro pouco mudou, a ponto de cada vez que ponho o pé na porta de casa para ir algum lugar, atravesso por alguns minutos uma máquina do tempo. As ruas conservam o estilo, a praça ganhou apenas um mal elaborado espaço para exercícios físicos, e mais nada. O que há de novo está mesmo ligado ao valor que o Santo Antônio passou a ter para empreendedores. Os costumes tradicionais da gente do bairro, as fachadas das casas que com esforço se mantém de acordo com as origens antigas de seus traços, é agora alternativo para quem está saturado dos shoppings centers, avenidas engarrafadas, bares caros-sem graça- da moda. As pousadas triplicaram, o número de estrangeiros andando pelas ruas aumentou bastante e assim seguimos vendo a configuração do sentimento de volta às raízes: a vontade de voltar a algo que perdemos na infância, de reconhecer a familiaridade preservada pelo tempo, ou ainda: encontrar na simplicidade o que cada vez mais é mais caro – tranqüilidade.

* A foto da praça do Santo Antônio a noite é da Jornalista Tassia Novaes. Visite o site dela clicando  aqui.

Por Sidarta Rodrigues