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26
Out
10

A República do Café com Leite


As vésperas do segundo turno da eleição para presidente da República, nada melhor do que comentar sobre política e café, logo meus pensamentos remeteram-me ao período em que o café e o leite ditavam os rumos da política nacional, período entre 1898 e 1930 conhecido como Republica do Café com Leite, momento que os Estados de Minas Gerais e São Paulo revezavam entre si a cadeira presidencial, ate que Getulio Vargas interrompeu em 1930 esse ciclo político.

O Brasil naquele contexto histórico baseava sua economia na agricultura, não possuíamos produção industrial significativa, quando muito, algumas fábricas de artigos de uso interno, a produção agrícola era quem dava números a nossa balança comercial e no bojo desse processo, o principal produto era o café.

A proeminência de São Paulo começava a ser sentida nos primeiros anos do século XX, quando os chamados Barões do Café começam a participar ativamente da política nacional antes centrada nos políticos cariocas e baianos. Para os Barões do café algo estava errado: São Paulo possuía uma crescente riqueza derivada, sobretudo dos cafezais, enquanto que os detentores, até então, do poder político, exerciam o poder na base da tradição.

Esse quadro muda, sobretudo quando Campos Sales, Advogado e político paulista assume o poder em 1898 iniciando a alternância no poder, esse revezamento foi feito por representantes do Partido Republicano Paulista (PRP), e do Partido Republicano Mineiro (PRM), que controlavam as eleições e gozavam do apoio da elite agrária de outros estados do Brasil.

Sao Paulo, forte na produaçao agrária, com seu maior produto sendo o café, e Minas Gerais grande produtor de leite e maior Colegio Eleitoral da época se mantiveram no poder alternando oito presidentes, quatro para cada Estado, no entanto quando em 1930 São Paulo desrespeitou a alternância lançando a candidatura de Júlio Prestes Albuquerque, que vence a eleição, com isso esse ciclo da política brasileira chamada de República Café com Leite é encerrada abruptamente.

Depois de oitenta anos um novo embate entre mineiros e paulistas agita a cena politica nacional, de um lado a mineira Dilma Vana Rousseff candidata do Partido do Trabalhadores (PT), que ironicamente é um pouco gaucha assim como era Getúlio Vargas e pelo lado paulista José Serra candidato do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB). O momento é outro e o que move a politica nacional são outros interesses, no entanto a história não deixa de apresentar suas concidências.

 

Por Roberto Silva

 

08
Jul
09

Sobre canecas, xícaras e café

colecUm bom amante de café sabe que o prazer da bebida se esconde nos detalhes. De um ponto de vista objetivo, as complexidades que cercam a produção da bebida, os cuidados e procedimentos quase rituais inscritos na trajetória do grão de café ate nossa boca enriquecem o hábito de tomar o “vinho da Arábia”. E assim o conhecimento transforma nossa percepção do que antes era apenas algo trivial, como continua a ser para outras pessoas. De outro lado, se há enólogos, historiadores do vinho, há também baristas, cafeólogos, que nos informam sobre a sofisticação do café, suas curiosidades e sagas. Mas tudo isto é um elogio técnico apenas. É muito provável que o significado pelo gosto do café não venha daí.

De um ponto de vista mais subjetivo, é fácil ver como a pausa para o café se torna um momento agradável, cheio de significados. Com seu poder estimulante, tomado sozinho favorece a introspecção, as memórias, a escrita. Compartilhado entre amigos favorece discussões bem humoradas. Os significados de algo tão cotidiano vão sendo construídos a cada xícara.

Por fim, toda a elaboração desta bebida marcada por lendas, tecnologia e prazer é transmitida ao paladar por algo não menos especial neste contexto de significados: a xícara de café. É comum que escolhamos uma caneca, xícara que pelo uso repetido se torne predileta, representante oficial da “pausa para o café”. E mais uma vez, aqui, recorremos à imagem do familiar, do valor que o hábito instituído naturalmente, cuja imagem está alem do âmbito financeiro.

Daí para colecionar xícaras, eleger as favoritas e separá-las num canto do armário é um passo. A vontade era tanta que por muito tempo fui colecionador de um único item, com a permissão da contradição expressa nesta idéia. De presente, ganhei o segundo passo para me cercar das coisas que gosto. Com a permissão do clichê, “as primeiras canecas de café a gente nunca esquece”. A origem é tudo que buscamos repetidamente em nossos dias. Lembrar do começo, do ponto em que as coisas mudam, ganham significados e se tornam muito importantes.

Assim foi meu início.

Sidarta Rodrigues

Conceitos de canecas legais

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Artigo sobre cafeologia

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